FELIZ ANO NOVO!

A todos os leitores da Revista Sim, e deste blog desejamos um ano novo repleto de bençãos, que todos os seu sonhos sejam realizados…

Deus abençoe!

Excelente 2012 a todos!!!!!


FELIZ, ABENÇOADO E SANTO NATAL!!!

Deus abençoe!!!

Cartão SIM


Dê a sua opinião…


AMAR A DEUS COM TODO CORAÇÃO

A Revista SIM deste mês apresenta um tema muito interessante para nossa reflexão: o amor a Deus. Será que é possível amar a Deus?

O evangelista João na sua primeira Carta nos surpreende com a afirmação: “amamos porque Deus nos amou primeiro” (I Jo 4,19). O amor de Deus pela criação, sobretudo a pessoa humana antecede qualquer manifestação de amor que podemos expressar em nossa vida. Temos a possibilidade de amar porque Deus nos amou e derramou em nós o Seu amor.  “O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rom 5,5).

Então podemos cumprir o primeiro mandamento, isto é, “amar a Deus com todo o coração”, sempre como uma resposta ao amor de Deus. O nosso amor a Deus é uma resposta, uma forma de louvor e agradecimento pelo amor de Deus por nós. É pela graça do próprio Deus que podemos amá-Lo. Esta resposta de amor a Deus se reflete num relacionamento pessoal com Ele em primeiro lugar. Tudo começa com um encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo. Toda pessoa precisa fazer esta experiência de encontro com Jesus, e a partir deste primeiro encontro cultivar uma “amizade”, um diálogo de amor com este Deus. A isto podemos chamar de oração pessoal. Orar é o primeiro ato daquele que quer amar a Deus, e a oração mais importante é o louvor a Ele por tudo o que realiza a cada dia em nossa vida, em especial, o próprio dom da vida. Amar a Deus é louvar a Deus, erguer um clamor de agradecimento. Agradecer a Deus é a forma mais autêntica de demonstrar o amor imperfeito àquele que é Perfeito.  O Salmista fala de sacrifíco de louvor, que agrada a Deus.

Num segundo momento, a oração deve adentrar a vida do cristão, o que significa derramar a vida diante de Deus diariamente, trazer o dia-a-dia diante do sagrado, pedindo luzes para a caminhada, muitas vezes obscurecida pelas dificuldades e sofrimentos da vida. Deus quer participar de nossa vida e intervir, a partir de nossa intimidade com Ele. Amar a Deus é deixar-se tocar e curar por Ele, viver a vida diante Dele. A oração de súplica e de perdão também é importante para demonstrar o amor a Deus, pois “quem se humilha será exaltado”, e porque a oração do humilde atravessa as nuvens, atinge o Deus de misericórdia e seu coração se abre.

A oração é a ponte que nos leva até o coração de Deus, e traz o coração de Deus até bem próximo ao nosso. O diálogo aberto com Ele é a forma mais intensa de expressarmos nosso amor, cultivando um relacionamento entre o amante e o amado. Na oração experimentamos ora ser amados, ora amarmos com palavras de louvor e ação de graças. Toda pessoa humana foi criada por Deus para viver esta dimensão espiritual e profunda com o seu criador.  O Catecismo da nossa Igreja afirma que “a glória de Deus é o homem”, mas um homem renovado pelo amor do próprio Deus, e por isso expressa com a vida, um amor imenso por Deus.

Como nosso Deus é Uno e Trino, temos a possibilidade de nos relacionarmos com Ele a partir da oração direcionada a Deus-Pai, a Deus-Filho e a Deus-Espírito Santo. E isto é uma escolha pessoal de cada um de nós. Alguns têm maior facilidade de se expressar ao Pai, e Nele encontra a fonte do Amor e pela criação, pela natureza criada, pelo dom da vida que procede do Pai, O ama intensamente e ora ao Pai, como foi o exemplo de Jesus. Outros têm maior intimidade com Jesus Cristo, e oram a Jesus, buscando libertação, salvação para suas vidas e para as de outras pessoas. Referem-se ao Filho de Deus, buscando o seu sangue redentor, e colocando-se sob o Seu senhorio. Outros ainda buscam uma relação profunda com o Espírito Santo, bebendo das fontes da água viva, exercendo dons e carismas em função de seus irmãos. O convite neste tempo é de aprofundarmos o  nosso relacionamento com Deus, seja de qualquer forma, levando a sério nossa vida de oração, para expressar o amor a Deus a partir da nossa vida, através de um relacionamento de amor, que acontece na oração, na contemplação, na adoração a Deus.

Outra dimensão deste amor a Deus se reflete na vida moral, como resposta do amor de Deus. Amar a Deus é tornar-se santo como Ele é Santo, buscando ajustar a vida ao evangelho, lutando contra todo tipo de pecado, desregramentos morais, vícios e tudo aquilo que destrói a vida, a própria vida e a dos irmãos. Santificar-se também pela vivência sacramental, sobretudo do sacramento da penitência e eucaristia, pois é na força do corpo e sangue de Cristo que nos tornamos santos, é esta a vontade de Deus, a nossa santificação (ITess 4,3). Talvez a maior prova de amor a Deus que possamos dar em toda a nossa vida, é entrar definitivamente no processo de conversão pessoal buscando a santidade. Quando uma pessoa entra neste lindo processo de santificação, buscando ser melhor a cada dia e se purificando de tudo que é do mundo, ela se torna um verdadeiro adorador, que é aqueles que o Pai procura, que o adoram em espírito (com a oração diária) e verdade (com a vida).

Que possamos nos tornar estes adoradores, para demonstrar o nosso amor a Deus.

Revista Sim

Amar a Deus com todo coração

Deus te abençoe nesta empreitada.

Por Diacono Paulo Roberto O. Lourenço – Canção Nova


Jesus, a força que vence o mundo

Jesus, a força que vence o mundo

Capa Revista Sim

 Pouco antes de morrer, encarcerado em Roma, São Paulo escreveu sua última carta a Timóteo. Nela ele recorda que é anunciador da mensagem salvadora: “Cristo Jesus destruiu a morte, fez brilhar a vida e a imortalidade” (2 Tm 2, 10).

 Por causa deste ministério ele sofreu muito como mostra em 2Cor 11, 23-29. Para seguir o Cristo, Paulo deixou todos os seus títulos de genuíno fariseu (Fl 3, 4-11) e enfrentou os desafios da pregação do Evangelho “loucura e escândalo” (1Cor 1, 23). Foi, por isto, acusado de subversivo contra César (cf. At 17, 7), nocivo à indústria dos ourives em Éfeso (cf. At 19, 23-40), prejudicial ao comércio dos adivi-nhos (cf. At 16, 16-19), traidor da Lei de Moisés (cf. At 18, 12-17). Suportou tudo por amor a Jesus. Nunca se arrependeu de ter confia-do no Cristo. Com alegria escreveu: “Eis por que sofro estas coisas. Todavia… sei em quem pus a minha confiança, e estou certo de que Ele é capaz de guardar o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1, 12).

“Sei em quem acreditei”. Ele sabia que entregou a sua vida não a um mero homem, nem a uma facção poderosa, mas a Jesus Cristo, Filho de Deus. Sabia que não seria decepcionado. Paulo termina a sua vida dizendo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia” (2Tm 4, 7s).

Essas palavras do Apóstolo e a sua atitude, devem ser modelo de vida para nós cristãos. Quem abraça o Evangelho, deposita nas mãos de Jesus Cristo toda a sua vida; não pertence mais a si, mas é selado como propriedade dele (cf. 2Cor 1, 22; Ef 1, 13s).

Esta decisão pode parecer arriscada, mas é sumamente sábia. O cristão pode e deve dizer: “Sei em quem pus a minha confiança!” Jesus venceu o mundo, venceu o pecado, aniquilou o inferno e assim salvou a humanidade. O mundo só pode mudar, ser melhor, quando todos os homens e mulheres aceitarem Jesus como Senhor e Salvador. Não adianta apenas enchermos as nossas ruas de soldados e de polícia; é preciso mais, é preciso que todos vivam o que Jesus ensinou.

Santo Agostinho procurou durante decênios a felicidade, e só a encontrou em Jesus Cristo;  depois exclamou: “Tarde eu te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde eu te amei. Mas como? Tu estavas dentro de mim, e eu estava fora de mim. Tu estavas comigo, e eu não estava contigo. Retinham-nos longe de ti as criaturas, que não existiriam se não existissem em ti. Tu me chamaste, e teu clamor venceu a minha surdez. Tu exalaste o teu perfume, eu respirei, e eis que por ti suspiro. Provei-te, e tenho fome de  ti. Tu me tocaste e eu ardo de amor por causa da paz que Tu me deste” (Confissões, I.X, c. 27).

 O homem foi criado por Deus para o Infinito; e só Deus pode satisfazê-lo plenamente. Jesus veio nos trazer o céu, o infinito.

Muitos, como Agostinho, procu-ram este Infinito, mas erroneamente em bagatelas e ídolos. São enga-nados pelos falsos valores da vida, de tal modo que se assemelham ao viajante que em sua caminhada, é seduzido pelas flores e borboletas da estrada, e esquece a meta à  qual desejava chegar!

 Só em Jesus Cristo está a nossa salvação. São Pedro deixou claro que “nenhum outro nome nos foi dado no qual tenhamos a salvação” (At 4,12). São Pedro explica-nos que essa salvação eterna foi conquistada “não  por  bens  perecíveis,  como a prata e o ouro… mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imolado” ( I Pe 1,18).

 “Carregou os nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados” (1 Pe 2,24).

Jesus, nosso Senhor e Salvador, não teve dúvidas em oferecer ao Pai o sacrifício teândrico (humano-divino) de sua Pessoa, para resgatar todos aqueles que pela sua Encar-nação fez seus irmãos. É a maior prova de amor que já existiu. Esta verdade levou São Paulo a exclamar, quando escreveu aos romanos:

 “Eis uma prova maravilhosa do amor de Deus para conosco: quando ainda éramos pecadores Cristo morreu por nós” (Rom 5,8).

 É pela fé no sangue do Senhor que somos justificados perante Deus Pai, para vivermos uma vida nova, aqui e na eternidade. A nossa conta com a justiça foi paga por Jesus.

 Apesar de toda essa prova extra-ordinária do amor de Deus por nós, muitos  batizados  renegam essa fé e vão buscar a salvação onde ela não existe. Abandonando o verdadeiro e único Salvador, e a verdadeira e única Igreja, vão buscar refúgio espiritual em tudo que é abominável a Deus, como nos ensina a Bíblia (Deut 18,10-13).

 Só há uma salvação e um único salvador: Jesus Cristo! Só há uma Igreja, a qual Jesus incumbiu de levar a salvação, através dos sete Sacramentos, a Igreja Católica. “Fora da Igreja não há salvação”, nos ensina o Catecismo da Igreja ; isto é, “toda salvação vem de Cristo-Cabeça através da Igreja que é o seu Corpo” (846).

 E nessa fé São Paulo caminhava, e ninguém, nada o impedia de reali-zar seu trabalho apostólico. Sua força era o seu Senhor: “Tudo posso naquele que me conforta” (Fl 4,13). Sabia que não podia confiar em si mesmo; antes, preferia assumir sua fraqueza e deixar que o Senhor agisse nele livremente: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21). E dizia triunfante na fé: “Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. (…) Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte! (II Cor 12,9-10).

A força do cristão está em Cristo e não nele. Enquanto não aprendermos aquilo que Jesus disse: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,5), não poderemos ser instrumentos úteis para Deus implantar Seu reino entre os homens. Na medida em que nos esvaziarmos de nós mesmos, do nosso orgulho em querer ser melhores que os outros, de nossa vaidade em querer aparecer (mesmo nas coisas de Deus), ou de nossa auto-suficiência em achar que só nós estamos certos, aí então poderemos ser úteis a Deus.

 A História da Igreja comprova a certeza de São Paulo: “sei em quem pus a minha confiança”! Nela podemos ver com clareza a sua transcendência e divindade. Nenhu-ma instituição humana sobreviveu a tantos golpes, perseguições, martírios e massacres durante 2000 mil anos; e nenhuma outra instituição humana teve uma seqüência ininterrupta de governantes. Já são 266 Papas desde Pedro de Cafarnaum. 

 Esta façanha só foi possível porque ela é verdadeiramente divina; divindade esta que provém Daquele que é a sua Cabeça, Jesus Cristo. Ele fez da Igreja o Seu próprio Corpo (cf. Cl 1,18), para salvar toda a humanidade.

 A maior graça que recebemos do Pai foi a de nos tornarmos seus filhos, pela adoção em Jesus que assumiu a nossa natureza. São João falou disso como a maior manifestação do amor de Deus por nós: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós somos de fato. (…) Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus” (I Jo 3,1-2). E o mesmo Apóstolo afirmou que “a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,12). Pela fé no nome de Jesus, tornamo-nos filhos de Deus e “predestinados a ser conforme à imagem de Seu Filho” (Rm 8,29).

 Já que somos propriedade sagrada de Deus, não podemos viver de qualquer jeito, desperdiçando a vida, o tempo e os talentos. Precisa-mos viver para fazer a vontade de Deus. A Virgem Maria foi a criatura que melhor viveu na terra essa realidade. “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38a). E então o Verbo se fez carne! Ser servo de Deus, escravo, quer dizer não ter vontade própria; quer dizer obede-cer irrestritamente à ordem do Senhor.

 Pertencer a Deus é viver para os outros; é servir. Sem essa preciosa auto doação, a vida se esvazia e perde o sentido. É que Jesus nos ensinou; a receita simples, bela e poderosa para salvar o mundo.

 Diante de Jesus todas as barreiras caem; pouco antes de morrer ele disse: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. A História da Igreja mostra que esta profecia se cumpre cada vez mais.

Revista Sim – Capa – Por Prof. Felipe Aquino

 


JANEIRO 2011

Revista Sim

Saudemos o Novo que vai chegar

Cada ano que começa é um grande presente de Deus para cada um de nós; e deve ser colocado inteiramente em Suas mãos para que Ele cuide de cada dia e de nós. Nada alegra tanto a Deus do que vivermos na fé.

A chegada de mais um ano nos lembra a importância do tempo, este presente de Deus que se renova a cada dia e que deve ser vivido plenamente, pois é nele que construímos a nossa vida e também a nossa salvação. São Paulo lembrava aos romanos que “é hora de acordar!”:

 “É hora de despertar do sono, pois nossa salvação está mais próxima agora do que quanto abraçamos a fé.  A noite avançou e o dia se aproxima” (Rm 13,11).

O começo de mais um ano nos lembra o ponto de chegada da caminhada terrestre que está cada vez mais próximo.  Os dias passam de maneira inexorável; e neste caminhar estamos em gestação, formando a “nova criatura” em nosso íntimo, configurada “à imagem do Cristo Jesus” (Ef 4,13). Não podemos nos tornar anões no nível espiritual, senão poderemos um dia ficarmos frustrados por ter adormecido sem buscar a perfeição espiritual. Deus nos quer santos: “sede santos porque eu sou santo” (1Pe 1,16). “Esta  é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts  4,3), diz São Paulo.

Mas  a conquista da santidade é uma luta no tempo de cada dia, de cada mês e de cada ano. É aproveitando bem o tempo presente que poderemos chegar à meta desejada por Deus. Não podemos chegar no final da caminhada da vida, olhar para trás, e verificar que perdemos tempo, a grande oportunidade de nos realizar.  Muitos nessa última hora poderão desejar ter mais um pouco de tempo, e não o terão; desejarão recomeçar, sem que isto lhes seja possível.

O tempo de gestação é também o tempo de semeadura. O cristão semeia nesta vida em meio às lágrimas e colhe no além com exultação. 

“Sabeis que quem semeia pouco, pouco também colherá, e quem semeia com largueza, com largueza também colherá.  Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,6s). Nossa vida é como uma lavoura a ser plantada, cultivada, vigiada, para colher no final bons frutos.

Se a caminhada do semeador é árdua, o retorno ou a compensação será de profundo júbilo: “Os que semeiam com lágrimas, ceifarão em meio a canções. Vão andando e chorando ao levar a semente; ao voltar, voltam cantando, trazendo seus feixes” (Sl 126,5s).

O cristão nunca acaba de se converter, é chamado a sempre maior coerência e responsabilidade. Cada instante do tempo precioso repercute na eternidade do cristão, pois os nossos valores definitivos são construídos nesta vida provisória.  A tomada de consciência destas verdades não permitirá que o cristão perca tempo ou se perca em “passa-tempos”.

Cada ano que chega deve ser para cada um de nós um convite a viver mais com mais convicção de acordo com o Evangelho, a Boa Nova de Jesus, o breviário da libertação do mal, do pecado, e buscar a conversão numa contínua superação de si mesmo, lutando cada dia pela renovação espiritual. “O tempo está realizado e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). O homem convertido é aquele que voltou-se definitiva e totalmente para Deus, como os santos o fizeram.

A conversão é um caminho estreito porque exige “morrer” para si mesmo e para o mundo. Neste aspecto Jesus foi muito claro: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” ( Mt 16,24; Lc 23,27).

Seguir a Jesus implica em morrer para o egoísmo, para a vaidade, para o próprio orgulho, para todo pecado, a fim de estar totalmente disponível para fazer a vontade de Deus. Na verdade, isso é difícil face à nossa natureza decaída. É preciso a graça de Deus a nos mover nesta dura caminhada. Mas, quando queremos nos converter, a graça de Deus nunca nos falta; porque, antes de mais nada, este é o desejo do Senhor. A Sua graça nos é dada pela oração contínua, pelos sacramentos, pela Sua Palavra e pela doutrina da Igreja. É preciso estar disposto a “perder a vida para ganhá-la”. 

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição… Estreita, porém, é  a  porta e apertado o caminho que conduz à Vida”(Mt7,13).

Não pense você que toda essa proposta de Jesus seja um programa de vida triste ou frustrante, não. O Papa João Paulo II disse um dia aos jovens: “Não tenham medo de seguir Jesus. Sua doutrina é exigente, mas nunca decepciona”. De fato, os que seguem o Senhor, sem olhar para trás, são felizes e fazem os outros felizes.

Por Prof. Felipe Aquino – Colaborador da SIM


Capa – Dezembro/2010

Preparai o Caminho do Senhor
 
Uma voz exclama: Abri no deserto um caminho para o Senhor, traçai reta na estepe uma pista para nosso Deus. (Is 40, 3)
 

Capa Dez/2010

 Nada incomodava tanto um casal de judeus do que não ter filhos. E não ter filhos era uma humilhação (1Sm 1,5-11) e até mesmo um castigo para esta gente (2Sm 6,23; Os 9,11). Mas a resignação e a esperança estavam com eles. Certo dia o marido entrou no templo, como de costume, e um anjo apareceu e disse: “Não tenhas medo, porque foi ouvida tua oração. Tua mulher vai te dar um filho a quem darás o nome de João. Ficarás alegre e muito feliz, e muitos se alegrarão com seu nascimento. Ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem licor e desde o ventre de sua mãe estará cheio do Espírito Santo. Reconduzirá muitos israelitas para o Senhor, seu Deus. Caminhará diante dele no espírito e no poder de Elias para reconduzir os corações dos pais para os filhos e os rebeldes para a sabedoria dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo bem disposto” (Lc 1,13-17). Este é o anúncio da vinda de João Batista a seu pai, Zacarias. São João nasceu, cresceu e foi educado (Lc 1,80) ouvindo que sua mãe era estéril e que ficou grávida na velhice, que sua gestação foi anunciada pelo anjo Gabriel, sua concepção foi por milagre, que recebeu o Espírito Santo ainda no ventre de sua mãe, que muitos se alegrariam com sua vinda e que teria a grande missão de reunir o povo judeu. Seu anúncio, concepção, gestação e nascimento foram repletos de motivos de glória. Certamente seus pais lhe contavam todas as noites a conversa com o anjo, lá no Templo. Lembravam-no sempre de sua missão: “preparar ao Senhor um povo bem disposto”. Não teria sido assim também o nascimento da renovação espiritual dos últimos anos? Em tantos lugares vimos ser anunciado vários “João Batista”, que significa “Deus é favorável”, Aquele que preparou o caminho para a chegada do Senhor.

 Quantas igrejas repletas, padres e bispos vibrantes, estádios lotados de gente com sede de Deus, comunidades se formando, anúncio do evangelho em meios de comunicação de massa. Todos “preparando ao Senhor um povo bem disposto”, todos preparando o caminho do Senhor. Esta é ou não a vocação daqueles aos quais o Senhor escolheu e enviou?. No livro do profeta Isaías, ele nos diz:: “Ilhas, ouvi-me; povos de longe, prestai atenção! O Senhor chamou-me desde meu nascimento; ainda no seio de minha mãe, ele pronunciou meu nome. Tornou minha boca semelhante a uma espada afiada, cobriu-me com a sombra de sua mão. Fez de mim uma flecha penetrante, guardou-me na sua aljava. E disse-me: Tu és meu servo, (Israel), em quem me rejubilarei. E agora o Senhor fala, ele, que me formou desde meu nascimento para ser seu servo, para trazer-lhe de volta Jacó e reunir-lhe Israel, (porque o Senhor fez-me esta honra, e meu Deus tornou-se minha força)” (Isa 49, 1-3.5). Aqui esta a grande graça em nós que na maioria das vezes não percebemos, foi o Senhor que nos preparou, nos ungiu e nos dá toda autoridade para prepararmos o caminho do Senhor a exemplo de João Batista. E ainda mais, é necessário estarmos todos cheios do Espírito Santo, aquele que nos encoraja, que nos dá a Parresia(ousadia) para irmos as águas mais profundas. Esta será inclusive a nossa marca, nosso selo, nossa identidade. Em tudo conduzidos pelo Espírito Santo desde a concepção e nascimento.  Eles conduzirão o povo oprimido ao Senhor. Reconduzirão muitos que agora estão distantes, ao Senhor seu Deus. Eles caminharão diante do povo, curando suas dores, restaurando suas famílias, resgatando seus jovens, aproximando os corações dos pais e dos filhos e trazendo os ‘rebeldes para a sabedoria dos justos’, a fim de preparar, para o louvor do Senhor, um povo renovado, santo, enfim, bem disposto”.

 Amados, como o Senhor tem nos agraciados com bênçãos e mais bênçãos. Em um dos últimos encontros que pregava de Experiência de Oração, quando um jovem me procurava e me dizia: “hoje eu encontrei a Salvação sou um dependente e transexual, mas a partir de hoje vou me confessar e ter uma vida correta”, amados onde é que o Senhor esta nos enviando e para que nos envia? É claro que onde ele nos envia são os lugares mais longínquos, como o próprio Senhor fazia, para devolver a vida, a dignidade, e o mais importante,  mostrar aos que estão perdidos neste mundo o caminho do Senhor. Mas não termina aí. Assim como João Batista, não devemos nos esquecer do verdadeiro anúncio que fomos chamados a dar: “Virá aquele do qual não sou digno de desatar as sandálias” (Mt 3,11). Reconhecer o Senhor, apontar quem é Ele, anunciar que Ele está próximo. Esta é nossa vocação. Recebemos do Senhor esta missão? Certamente, Ele nos constituiu e nos enviou – “preparai o caminho do Senhor” (Mt 3,3). Recebemos do Senhor seu reconhecimento? Claro que sim, Ele testemunha em nosso favor – “entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior que João” (Mt 11,11a). Somos diferentes dos que nos precederam? Não, Ele, o Senhor, nos coloca no devido lugar – “o menor no reino dos céus é maior que João” (Mt 11,11b). Mas então, em que devemos nos gloriar? No martírio, é claro. Pois foi para lá que João foi  e será para lá que nós iremos nos últimos dias. Mas de uma coisa tenha certeza existe um lugar reservado a todos aqueles que preparam o caminho do Senhor.

 No Evangelho de Lucas  vemos a Promessa do Senhor: “Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!. Não vos alegreis porque os espíritos vos estão sujeitos, mas alegrai-vos de que os vossos nomes estejam escritos nos céus” (Luc 10, 17.20) e no Livro do Apocalipse vemos o cumprimento desta Promessa:  “Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão, e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro, e adoravam a Deus, dizendo:Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém. Então um dos anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm? Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos (Apo 7, 9-16). Portanto, amados,  preparai o  caminho do Senhor.

Por João da Silva – Pregador da SIM


Revista Sim – Nov/2010

DA MORTE PARA A VIDA

São Paulo, o apóstolo, na carta aos Romanos, após ter revelado a doutrina de Cristo, faz esta pergunta, “Que diremos então? Devemos permanecer no pecado para que haja abundância da graça?”(Rom 6, 1-2) – a resposta que ele nos dá é “De forma nenhuma! Uma vez que já morremos para o pecado, como poderíamos ainda viver no pecado?(Rom 6,3) Paulo faz esta pergunta porque havia pessoas que quando ouviam os ensinamentos encontrados no Evangelho concluíam que, como Deus Pai havia sacrificado seu filho Jesus para o perdão de nossos pecados então os filhos de Deus se encontravam livres para pecar. Mas Paulo nega esta sugestão de forma enfática, quando responde sua própria pergunta ao afirmar “De modo nenhum”, pois a salvação ocorre somente pela graça através da fé, e esta não guia vidas iníquas que permanecem em pecado, por já estarem acostumadas a pecar, ou seja, a graça de Deus não induz o cristão a pecar, este o faz por sua espontânea vontade.

Podemos comparar a nossa convivência com o pecado com a experiência de uma pessoa quando esta perde o emprego. Naturalmente, passa por dificuldades até adaptar-se à nova situação, mas, com o tempo, acaba se acostumando; isto porque o ser humano tem certa capacidade de se adaptar e a acostumar-se com as situações. O mesmo acontece com o pecado. A princípio, sentimos certo incomodo, proporcionado pelo Espírito Santo, mas, passado algum tempo, caso a condição pecaminosa seja mantida, nos acostumamos e já não ouvimos mais a voz do Espírito que nos levaria ao arrependimento. Isto mesmo, por vezes, nós nos acostumamos a alguns pecados e, até mesmo pecamos como de costume, e em outras vezes nem nos lembramos dos erros que cometemos, ficando eles esquecidos no tempo. Porém, entre todos os hábitos que o homem mantém, o hábito de pecar é o mais grave e o mais deplorável, já que o pecado se torna uma rotina na vida da pessoa e com o tempo este hábito mortal vai sendo praticado e acontecendo mais vezes e em intervalos cada vez mais curtos, até que, passado algum tempo, o ato de pecar já não cause na pessoa a estranheza e o incômodo, a ponto de o pecado se tornar para o homem uma coisa indispensável e necessária.

Porém, andar tão atrelado ao pecado leva-nos ao enfraquecimento da fé e com ela vai também desaparecendo em nós a expectativa da graça Divina e em conseqüência perdemos o temor a Deus, abalando a nossa capacidade de entendimento a ponto de não conseguirmos mais distinguir a diferença entre o bem e o mal.

É preciso considerar que, se o pecado fosse algo totalmente desprazeroso ou desvantajoso, dificilmente alguém seria atraído e preso por ele, mas o fato é que o pecado alimenta algo dentro do homem, é por isso que, mesmo sabendo que será prejudicial, ele ainda continua vitimando e prendendo as pessoas. Contudo, notamos que o pecado realmente prende as pessoas que o praticam e é por isso que a bíblia fala tantas vezes sobre a libertação dos cativos.

Alguns sinais que demonstram se estamos nos conformando e aceitando o pecado em nossa vida é quando paramos de orar e de buscar arrependimento constantemente. Um outro sinal da nossa vida de pecado é quando percebemos que coisas que antes mantínhamos distância, agora, corremos atrás delas, mesmo sabendo que são contrárias à vontade de Deus. Ou quando fazemos determinadas coisas porque outros fazem, não importando se a Palavra de Deus as desaprovam ou não. Ou ainda quando nosso vocabulário e palavreado estão amorais ou pervertidos, quando a nossa arrogância está em alta. Quando não nos preocupamos se nossos caminhos e nossa vida, estão agradando a Deus. Quando não valorizamos os meios de graça, ou ainda quando nossa busca pela santidade está parada e a reunião da igreja, a oração, a leitura bíblica e a comunhão da igreja são algo que nos traz mais aborrecimento do que alegria. Estes são alguns, somente alguns, fortes sinais de que nos acostumamos com o pecado que é, essencialmente, o afastamento de Deus.

Todavia, retornamos à pergunta de São Paulo: “Que diremos então? Devemos permanecer no pecado para que haja abundância da graça?”(Rom 6, 1-2), e, usando parte de sua resposta diremos “De forma nenhuma!”, pois é preciso converter-se. Converter-se é, essencialmente, sair do estado de perdição, deixar o pecado. É preciso ouvir a voz do Espírito Santo clamando e nos conduzindo para a santidade, para a obediência e para o testemunho cristão. É preciso seguir a receita de São Paulo quando escreveu em Gálatas 5,16-17 dizendo “deixai-vos conduzir pelo Espírito e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes ao da carne, pois são contrários uns aos outros; É por isso que não fazeis o que quereríeis”.

O que São Paulo nos ensina é que Jesus Cristo morreu por todos os nossos pecados e mediante a fé neste ato remidor, uma vez confessados os nossos pecados e arrependidos de coração, podemos entrar por esta única Porta na presença de Deus e, receber Dele o perdão purificador de todas as nossas transgressões inclusive das que nos são ocultas ou que ainda venham a nos ser reveladas. Porque o Senhor já nos perdoou, não há nenhum pecado esquecido em seu coração. A vida eterna espera por aqueles que crêem, e a condenação por aqueles que não crêem. Não há outra escolha, ou saímos da morte e como premio receberemos o dom da vida nova ou permanecemos no pecado e continuaremos mortos.

Por Carlos Vitorio Martins Joviano
Diretor de Marketing e Pregador da SIM


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